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L'art de la Ressemblance

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A ARTE DA SEMELHANÇA

L'ARTE DE LA RESSEMBLANCE

 

 

1- A semelhança - é tal qual pergunta na linguagem cotidiana - é nomear coisas tendo ou não uma natureza comum (que pertence a comunidade). Alguém diz: "Olhar como semelhante duas gotas de água "e" que a falsificação olha como o autêntico." Isto quase não supõe semelhança só consiste em relatórios de semelhança, distinguidos por um pensamento que examina, avalia e compara.

 

2- A semelhança se identifica com o ato essencial de pensar: o de se parecer (assemelhar) fazendo o que o mundo lhe oferece e de restituir - o que lhe é oferecido - ao mistério sem o qual não haveria nenhuma possibilidade de mundo nem nenhuma possibilidade de pensar."

 

 

3-A arte da pintura – inconcebível como mistificação mais ou menos inocente – não enuncia idéias nem exprime sentimentos. As idéias e os sentimentos pertencem ao invisível. Estas não possuem nenhuma superioridade sobre o visível. Representar o invisível com as imagens visíveis da pintura é uma tolice. A imagem de um círculo equivale a um “pensamento circular”, mas não representa a idéia ou o sentimento de círculo que cabe à filosofia definir.

 

4- A arte de pintar – merece realmente se chamar a "Arte da Semelhança" - permite descrever, pela pintura, um pensamento capaz de ser notado visivelmente. Este pensamento compreende exclusivamente as figuras visíveis que o mundo oferece, como: pessoas, astros, móveis, armas, árvores, montanhas, sólidos, inscrições textuais e/ou imagéticas, etc. Este pensamento assemelha-se a união de figuras que vê, em uma ordem que evoca diretamente o mistério. A descrição deste pensamento, que se assemelha ao mundo não separado do seu mistério, não tolera fantasia nem de originalidade. A precisão e o encanto de uma imagem da semelhança perdem-se de forma comum ao benefício de uma maneira "original" de pintar. "Como pintar" a semelhança deve limitar-se a estender cores por uma superfície, de tal modo que o seu aspecto efetivo afasta-se e deixa aparecer a imagem do pensamento que se assemelha e que restitui o que se vê no mistério.

 

5- Se ocorre dele ser "golpeado" olhando uma imagem da semelhança não é necessário deduzir que exprime um sentimento ou que enuncia uma idéia.

Seria também falso crer, por exemplo, que uma cebola - que se corta em pedaços - exprime a sensação de chorar ou que enuncia a idéia de utilizá-la na cozinha.

 

6- Um quadro que não é suficiente claro para se entender não esconde nada que não seja visível (nem evidentemente de invisível –este não se pode esconder – ou ele é conhecido ou é incomum). Querer interpretar uma imagem semelhante, a fim de exercer sua liberdade, é ignorar ou substituir por uma interpretação gratuita que, a sua maneira, pode fazer uma série sem fim de interpretações indiferentes.

 

 

7- Uma imagem da semelhança não resulta da ilustração de um “sujeito”, nem de um “tema”, nem de um símbolo. Uma imagem da semelhança é uma imagem em si, só o mistério não lhe é estranho.

 

9- A semelhança não se importa de conciliar ou de desafiar “o sentido comum” que combina passivamente com aquilo que o mundo tem de inconveniente (impróprio). A semelhança - que o inspira só pode fazer surgir – manifesta o mistério que o mundo impróprio da razão é incapaz de sugerir.

 

1?- Historicamente", a arte da semelhança aparece com o fim das pesquisas formais impressionistas, futuristas, cubistas e abstratas do século XX. A confusão específica destas pesquisas, liberadas de uma arte limitada à ilustração de "sujeitos" escolhidos em um repertório qualquer, não perderam um certo charme de inovação. A arte da semelhança é considerada com confusão como uma novidade: as questões não são nada menos do que o mistério – o qual não tem nada de histórico – da vida e da morte.

 

 

 

 

 

 

Notas:

1.Em 10 de fevereiro de 1967, Magrite devolveu a Kahmen a cópia datilografada do texto acompanhada de uma nota manuscrita: 'eis de volta o seu "falatório a máquina", onde não encontrei senão a letra R ausente na palavra ORDEM, e onde a palavra MAS seria referível a E. Eu lhe enviarei alguns desenhos....' - Ele de fato havia feito questão de que Magritte ilustrasse a tradução de Kahmen, haja vista a carta a Kahmen de 20 de setembro de 1966, passagens às quais ele se manteve fiel..., e as carta (ainda de Magrite a Kahmen) de 22 de novembro de 1966, 17 de janeiro e 29 de junho de 1967. Confronte ainda Marcel Duchamp: entrevista com James Johnson Sweeney, in "Duchamp du signe", Flammarion.

 

2. Ver carta a Daniel Frasnay, maio de 1967, no final. Onde utiliza a expressão "poema em si" , dentro de sua Poética principal: André

Bosmans, no seu prefácio ao catálogo da exposição Magritte, organizado por "tempos confusos", Liège, outubro de 1960 (W 720), faz composição em itálico: "imagens em si".

 

3. Verificar carta a V. Kahmen de 22 de novembro de 1966. Verificar também carta a Fabrizio, em Retrospectiva, p.47.

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